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Enquadramento Histórico

Batalha do Buçaco

Batalha do Buçaco em 27 de Setembro de 1810

A história teve para os românticos uma grande importância, ela era o pretexto para uma reflexão centrada sobre as nacionalidades. Os escritores procuravam exaltar tudo quanto era nacional e popular. A literatura cedo adquiriu um carácter cívico e patriótico e enveredou a pouco e pouco pelo historicismo, tratando com carinho as figuras nacionais.

Almeida Garrett não foge à regra, atento ao que se passava à sua volta, na obra Viagens na Minha Terra, não faz mais do que um relato da evolução político-social do liberalismo português. Pretendia dar ao povo"a verdade do passado no romance e no drama histórico, no drama e na novela da actualidade" oferecer-lhe "o espelho em que se mire a si e ao seu tempo, a sociedade que lhe está por cima, abaixo, ao seu nível - e o povo há-de aplaudir, porque entende: é preciso entender para apreciar e gostar."

 

O tempo das Viagens é um tempo histórico de aguda crise de valores, de recuo de conquistas políticas e sociais que Garrett havia ajudado a consumar.

Por essa razão, o debate ideológico cruza sempre o trajecto do narrador, que se interessa pelo presente que o rodeia e pelo passado próximo que a ele deu origem.

No século XIX Santarém foi palco de importantes acontecimentos históricos, como a ocupação dos exércitos franceses por Junot (1807/8), dois anos depois foi também escolhida como posição estratégico-militar e quartel-general de Massena (1810/11). Este último facto levou à migração maciça da sua população, incluíndo frades e freiras, para Lisboa e outras paragens da Estremadura ou a sul do Tejo.

"Junot protegendo Lisboa"  Alegoria de Domingos Sequeira

A ocupação de Massena reflectiu-se sobretudo nos edifícios e nos equipamentos públicos da Vila. Eram praticados actos de vandalismo. Uns anos depois a Vila divide-se entre absolutistas e liberais. Como o peso dos primeiros era maior, pelo número de religiosos que ostentava, D. Miguel ligou-se à Vila, enquanto infante, fazendo-a aderir à Vilafrancada defendendo-se nela como ponto avançado da Guerra Cívil e último reduto da sua causa (1832/34).

A entrada dos liberais, em 18 de Maio de 1834, marcou Santarém do ponto de vista social e cultural. A extinção das ordens religiosas e a nacionalização dos seus conventos teve efeitos até ao início do século XX.

Os conventos da Vila passam a ter novos destinos e ocupantes, assiste-se à cedência e refuncionalização desses espaços. Muitos conventos transformaram-se em repartições públicas, quartéis de regimentos militares, novos hospitais ou cemitérios, teatros e praças de touros, instituições de assistência ou aínda são pura e simplesmente demolidos.

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É neste contexto que Almeida Garrett visita Santarém e encontra uma "povoação descaída e desamparada", uma "grande metrópole de um povo extinto, de uma nação que foi poderosa e celebrada, mas que desapareceu da face da terra e só deixou o monumento de suas construções gigantescas." (Cap. XXVII, das Viagens)

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